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sexta-feira, 13 de abril de 2007

Somos vítimas e Somos carrascos

Sempre que lemos a história ou vislumbramos o sofrimento pelos quais passaram os índios e os negros sob a mão opressiva do português colonizador, sentimos uma repugnância pelos opressores que causaram tanta dor para os oprimidos negros e índios no Brasil.

Mas ao ler O POVO BRASILEIRO de Darcy Ribeiro foi-me apresentada uma análise interessante:

"Todos nós, brasileiros, somos carne da carne daqueles pretos e índios supliciados. Todos nós brasileiros somos, por igual a mãopossessa que os supliciou. A doçura mais terna e a crueldade mais atroz aqui se conjugaram para fazer de nós a gente sentida e sofrida que somos e a gente insensível e brutal, que também somos. Decendentes de escravos e de senhores de escravos seremos sempre servos da malignidade destilada e instalada em nós, tanto pelo sentimento da dor intencionalmente produzida para doer mais, quanto pelo exercício da brutalidade sobre os homens, sobre mulheres, sobre crianças convertidas em pastos de nossa fúria.
a mais terrível das nossas heranças é esta de levar sempre conosco a cicatriz de torturador impressa na alma e pronta a explodir na brutalidade racista e classista. Ela é que incandesce, ainda hoje, em tanta autoridade brasileira predisposta a torturar, serviciar e machucar os pobres que lhes caem às mãos. ela, porém, provocando crescente indignação nos dará forças, amanhã, para conter os possessos e criar aqui uma sociedade solidária."

segunda-feira, 2 de abril de 2007

Manifesto em Defesa da Reforma Psiquiátrica

Em defesa da Reforma Psiquiátrica brasileira: contra os elitismos corporativistas e contra a covardia !
Num país marcado pela existência de graves injustiças sociais que a condução política jamais ousa enfrentar radicalmente, chama a atenção o singular processo representado pela Reforma Psiquiátrica Brasileira. Nela, a situação injusta e desumana de milhares de portadores de sofrimento mental, reclusos em hospitais psiquiátricos, vem sendo objeto de um incisivo enfrentamento. Ao longo dos últimos 20 anos, num movimento que já possui lugar na história e firme presença no cenário nacional, conquistas importantes vêm sendo obtidas, no que diz respeito à garantia dos direitos e à oferta de cuidados aos portadores de sofrimento mental. Denúncias sistemáticas e bem documentadas de violações aos direitos humanos nas instituições psiquiátricas vêm chegando ao conhecimento público - desde a terrível situação de Barbacena, em 1979, até a publicação recente sobre mortes ocorridas em sinistros hospitais brasileiros. Desde 1992, no Rio Grande do Sul, vêm surgindo novas legislações estaduais e municipais que afirmam os inalienáveis direitos de cidadania dos portadores de sofrimento mental - culminando, em 2001, na aprovação da lei nacional 10 216. Modelos assistenciais substitutivos aos hospitais psiquiátricos, guiados pela lógica do cuidado, da inclusão e da reinserção social, demonstram concretamente sua viabilidade e eficácia - a começar pelo exemplo de Santos, em 1989, até experiências atuais e atuantes, nos mais diversos locais do país.

O que é Reforma Psiquiátrica?

Vocês já viram, nas novelas da globo, como é fácil para o vilão internar as mocinhas nas clínicas psiquiátricas... Basta ele comprovar que ela estava usando drogas ou o vilão provocar um surto de ira na mocinha para ela ser internada, ou a mesma ser mãe do vilão (vide a última novela Cobras e Lagartos). Estou descrevendo uma das tantas novelas que abordam assim a saúde mental. Quem assistiu o filme Bicho de Sete Cabeças também entende o que estou falando...

segunda-feira, 19 de março de 2007

Homens e Mulheres: o desafio do encontro

Neste fim de semana, eu e amigos discutimos sobre homens e mulheres e as relações entre eles.
Foram apresentados diversos argumentos sobre fidelidade entre homens e entre mulheres, as linguagens dos homens e das mulheres no processo de paquera, as diferenças dos comportamentos entre as regiões do Brasil e entre as metrópoles e cidades menores, etc.
No fim, chegamos à conclusão de que o pano de fundo desta discussão era que mulheres e homens estão vivendo um momento de revisão de seus papéis na sociedade e nas relações, papéis estes que foram chacoalhados pelo movimento feminista.
A mulher neste processo tornou-se mais independente financeiramente e os homens viram estremecer o seu papel de provedor.



Eu vejo que o movimento feminista foi radical na defesa dos direitos da mulher ao ponto de defenderem também igualdade entre homens e mulheres. Eu fui influenciada pelas idéias mais radicais e, por alguns anos, eu competia com os homens e acreditava que receber ajuda de homens era submissão.
Hoje, acredito que nós, mulheres, precisamos rever a maneira de defendermos nossos direitos. Ter direitos iguais é bem diferente de sermos iguais. Eu não quero ser igual ao homem e nem quero competir com eles. Somos diferentes em diversos aspectos e nestas diferenças não há melhor ou pior características.
Fisicamente, somos mais frágeis e os homens mais fortes. Hormonalmente, somos mais instáveis e os homens mais estáveis. Relacionalmente, somos mais água, mais flexíveis e mais emocionais, os homens são fogo e mais racionais. As mulheres tem maior capacidade para realizar várias atividades ao mesmo tempo, enquanto os homens focam uma atividade de cada vez. Claro que há nuances nestas características, não quero ser determinista.

Em minha vida, percebi que precisava resgatar a minha feminilidade para me reencontrar comigo mesma. Compreendi que ser flexível não é ser submissa. Ser feminina não diminui os meus direitos, pois não preciso ser igual ao homem para ter os mesmos direitos que eles.

Percebo que os homens estão perdidos, não estão sabendo como agir: se devem ser fortes, protetores e decididos, se devem ser carinhosos, sensíveis. Acredito que nós mulheres temos a responsabilidade de ajudá-los. Eles também precisam se reencontrar com o papel deles e não deixar de serem masculinos.
Mas o desafio é o encontro entre os homens e mulheres. E eu só vejo um modo de nos entendermos: através do diálogo. Precisamos dizer o que pensamos e o que queremos sem jogos, sem medo de ver as nossas próprias contradições. Chegarmos a contratos e consensos juntos. Pedir ajuda ao outro sem se sentir humilhado ou submisso.

Não podemos nos envergonhar de sermos homens e mulheres e encontrarmos a beleza nas diferenças.

quarta-feira, 14 de março de 2007

Em Minha Terra: Verdade e Conciliação

Este filme nos apresenta o movimento que sucedeu o fim do Apartheid na África do Sul. Em 1996, o Governo da África do sul de Nelson Mandela, estabeleceu a Comissão Da Verdade e Da conciliação para investigar os abusos aos Direitos Humanos sob o período do Apartheid. sob o comando do Arcebispo Desmond Tutu (ganhador do prêmio Nobel da paz), a comissão examinou atos cometidos entre Março de 1960, data do massacre de Sharpeville, e 10 de Maio de 1994, dia que Mandela assumiu a presidência.

De acordo com o princípio africano chamado "Ubuntu", o qual se empenha para estabelecer a harmonia entre todas as pessoas através da absolvição das trangressões, ao invés de impor o castigo merecido, a comissão organizou uma série de espaços de escutas por todo o país com o intuito de ajudar a curar as feridas do Apartheid. Estes espaços serviriam como fóruns onde aqueles que cometeram assassinatos e torturas durante o período do Apartheid se confrontavam com suas vítimas (interessante que haviam vítimas brancas e transgressores negros também)

A pessoa é para o que nasce

A história destas três mulheres me comoveu muito...
Uma vida sofrida...
Um encontro com um diretor sensível...
Um filme...
Um encontro com o Brasil...
Do anonimato das ruas de Camínas Grande para os palcos do Brasil...
Uma prodção musical singela que agrada...
comprei o CD produzido e não consegui parar de escutar!!!

Vale a pena gente!!!

Mais um texto sobre Redução da Maioridade Penal

CONTARDO CALLIGARIS

Maioridade penal e hipocrisia

Nossa alma "generosa" dorme melhor com a idéia de que a prisão é reeducativa

UM ADOLESCENTE de 16 anos fazia parte da quadrilha que arrastou o corpo de
João Hélio, 6 anos, pelas ruas do Rio. A cada vez que um menor comete um
crime repugnante (homicídio, estupro, latrocínio), volta o debate sobre a
maioridade penal. Em geral, o essencial é dito e repetido. E não acontece
nada. Aos poucos, o horror do crime é esquecido. Não é por preguiça, é por
hipocrisia. Preferimos deixar para lá, até a próxima, covardemente, porque
custamos a contrariar alguns lugares-comuns de nossa maneira de pensar. 1) A
prisão é uma instituição hipócrita desde sua invenção moderna. Ela protege o
cidadão, evitando que os lobos circulem pelas ruas, e pune o criminoso,
constrangendo seu corpo. Mas nossa alma "generosa" dorme melhor com a idéia
de que a prisão é um empreendimento reeducativo, no qual a sociedade emenda
suas ovelhas desgarradas. A versão nacional dessa hipocrisia diz que a
reeducação falha porque nosso sistema carcerário é brutal e inadequado. Essa
caracterização é exata, mas qualquer pesquisa, pelo mundo afora, reconhece
que mesmo o melhor sistema carcerário só consegue "recuperar"
(eventualmente) os criminosos responsáveis por crimes não-hediondos. Quanto
aos outros, a prisão serve para punir o réu e proteger a sociedade.